Servir Antes de Tudo
Frequentemente em nossas vidas, recebemos o chamado para exercer algum tipo de liderança sobre nossos próximos. Tomando como primeiro cenário as nossas famílias, a liderança pode se expressar na figura do(a) provedor(a), pelo exercício da paternidade /maternidade ou até mesmo pelo zelo de um irmão(ã) mais velho(a). Em nossos ambientes laborais, tal liderança geralmente se materializa na figura de um(a) supervisor(a), gerente ou executivo(a). Na atividade desportiva geralmente se corporifica na figura de um(a) capitão(ã) ou de um(a) treinador(a), que muitas vezes faz a diferença entre ganhar ou perder. Outros exemplos a serem mencionados são os mestres e os empreendedores de toda espécie.
O fato é que mais cedo ou mais tarde, desejando tal responsabilidade ou fugindo dela, inevitavelmente seremos convocados a exercer algum tipo de liderança, seja ela formalizada por algum título ou posição, ou através da liderança informal legitimada por algum conhecimento ou experiência que nos diferencia.
Não raro, tais convocatórias se apresentam em situações adversas e inesperadas, quando usualmente nos sentimos despreparados e desafiados ao nosso limite. Em tais momentos, muitas vezes nos faz falta um acercamento mais metódico, algum guia para nos ajudar a moldar nosso comportamento como líderes de uma forma a refletir não apenas nossa filosofia de vida, mas alinhar-se com o tipo de influência que queremos exercer sobre tais próximos, e a diferença que queremos fazer no mundo. E foi em um momento como esse que descobri a escola de pensamento da liderança servidora.
Exemplificada de forma brilhante em sua obra “O Monge e o Executivo”, James C. Hunter retrata a trajetória de um fracassado que, ao buscar novas inspirações em um retiro espiritual, se vê forçado a revisar sua forma de exercitar a liderança em seu lar, em seu trabalho e até mesmo em sua atividade como treinador de baseball. Ele descobre que a melhor maneira de liderar é, antes de tudo, através do servir.
A primeira coisa que um líder servidor deve fazer é questionar; O que preciso fazer para que cada um de meus liderados seja bem-sucedido em suas tarefas? Do que eles precisam para atingir alta performance? Logo em seguida, tais perguntas devem ser feitas analisando a equipe como um todo. As respostas podem variar, mas via de regra passarão por temas como melhores condições de trabalho, treinamento especifico, melhores ferramentas, melhores processos, melhor entendimento das responsabilidades. Uma vez entendidas tais deficiências, o líder servidor trabalha incansavelmente para preencher tais ausências, pavimentando a estrada para o sucesso individual de cada membro e da equipe de forma coletiva. O líder servidor é antes de tudo um facilitador, um abridor de caminhos. Ele chega ao êxito individual através do êxito de seus liderados e não apesar deles.
Outro imperativo é o de ser excelente ouvinte. O líder servidor, para melhor servir, deve humildemente ouvir seus liderados e empatizar com suas frustrações e aspirações de forma individual, tratando cada um de maneira personalizada.
Em resumo, a liderança servidora possibilita colocar em prática o amor ao próximo, mesmo em ambientes onde o pragmatismo impera. Em tais situações, devemos aplicar o chamado amor exigente, amando e capacitando cada um de seus liderados, porém, exigindo deles que deem o seu melhor no exercício de suas funções, para o bem deles mesmos e da coletividade (a família, a equipe de trabalho, o time esportivo, etc.).
Evidentemente a adoção da liderança servidora não é para todos, já que muitos ainda hão de preferir métodos menos elaborados, mais primitivos e “testosterônicos”, posicionando-se como “macho (ou fêmea) alpha” em busca do poder e projeção pessoal egoística. Estes certamente também deixarão sua marca e farão sua diferença no mundo, mas via de regra deixarão duras lembranças e experiências em seus liderados (falo com conhecimento de causa, pois tive minha parcela de líderes assim).
Uma vez mais pondero que devemos sempre nos questionar que tipo de diferença queremos fazer no mundo. Munidos desse direcionamento, podemos então fazer escolhas mais conscientes sobre o tipo de liderança que queremos exercer.
Você pode estar se perguntando; “E quem poderia ser a melhor referência de líder servidor para que tomemos como modelo e guia?” Tal pergunta também foi feita no livro recomendado anteriormente e a resposta foi muito objetiva. Tal referência talvez tenha sido o maior líder que o mundo já conheceu, pois deixou um legado ainda praticado e estudado, mesmo tendo estado fisicamente entre nós há dois mil anos.
Para deixar a mensagem clara e indubitável que o servir vem antes de tudo, tal referência lavou os pés de seus seguidores, e lhes ensinou que para sermos os primeiros perante Deus, devemos ser os últimos. Um gesto de amor e de humildade, mas também um contundente exemplo, que fez com que seus discípulos finalmente entendessem qual seria sua missão daquele dia em diante. Graças a tal líder servidor, nossa sociedade jamais foi a mesma.
Pronto para deixar sua marca no mundo através de sua liderança? Pois então comece antes de tudo por servir.