O Poder do Dedo Indicador
Zig Ziglar
Extenso debate existe nos dias de hoje, sobre os efeitos positivos e negativos do cada vez mais constante uso da tecnologia em nossas vidas. Gradativa e sorrateiramente, os avanços tecnológicos foram ganhando espaço e relevância, substituindo aparatos que em pouco tempo ficaram obsoletos, e mudando nossos hábitos, renovando as antigas formas de trabalho e diversão por novas e desafiantes metodologias.
Até bem pouco tempo, nossas formas de ouvir música, ler um livro, atualizar-se com as notícias, assistir TV, passar o tempo e de conversar com pessoas que viviam distantes, eram feitas de maneiras totalmente distintas das que utilizamos hoje.
Porém, as novas tecnologias não só revolucionaram velhos hábitos, mas também criaram novos, que vieram a modificar a forma com as quais nos relacionamos e influenciar nossos comportamentos e tomadas de decisões. Poucas novidades tecnológicas mudaram mais as nossas vidas que as tais mídias sociais.
Tendo como mola propulsora, poderosos algoritmos (palavra que virou moda em função de sua determinante influência) que observam cada interação nossa com as telas que as servem de veículo, as mídias sociais calculam com precisão as imagens que mais nos prendem a atenção, e as propagandas que mais nos interessam num determinado momento. Porém, engana-se quem pensa que os produtos sendo a nós oferecidos são sua mercadoria. Trata-se justamente do contrário. Somos nós a mercadoria vendida (ou nosso tempo de tela) pelas mídias sociais para quem deseja promover algum produto ou serviço através das telinhas. Quanto mais conseguem prender nossa atenção, mais valem as mídias para as empresas que querem incrementar seus faturamentos por seu intermédio.
Esse mecanismo, perverso em essência, faz com que a mercadoria desejada (nosso tempo de tela) seja maximizada a qualquer custo, o que leva os ditos algoritmos a usarem sua “inteligência” para detectar o que mais nos prende a atenção, porém, ao mesmo tempo, permitem que sejam totalmente neutros e isentos em analisar se o conteúdo em questão é bom ou ruim para o indivíduo e para a coletividade. Um claro exemplo disso são as discussões públicas de todo tipo, principalmente as que versam sobre as polarizações políticas. O algoritmo pouco se importa que as discussões desemboquem em brigas de família, separações de casais, rupturas entre amigos e até mesmo a violência nas ruas. O que importa é manter ou incrementar o tempo de tela a qualquer custo. Em outras palavras, as mídias sociais prosperam com o caos e o conflito e por isso, intencionalmente os instigam.
Convictos de que estão apenas defendendo uma ideologia para o bem de suas pátrias, os usuários se deixam levar por esta manipulação e caem na armadilha. Estão sendo usados e não se dão conta. Um fenômeno muito bem evidenciado pelo filme “O Dilema da Redes”, que nos alerta para o quanto estamos sendo manipulados ao ponto de sermos induzidos ao insurgimento e à violência, tudo em nome dessa preciosa comodity, o nosso tempo de tela.
Daí então a pergunta; quem está no comando daquilo que aparece em nossas mídias sociais? Se quisermos nos isentar de qualquer responsabilidade, obviamente teremos o impulso de culpar o dito algoritmo. Porém, sou forçado a recordar-nos de que o algoritmo simplesmente faz uso das nossas interações com as telas. Quem iniciou tudo, fomos nós mesmos. Ele só nos mostra quem somos. A verdade é que as mídias sociais são um cruel espelho de nossas preferências e nossos estados mentais. Se tais preferências são mais primitivas (antagonismos radicais, violência, pornografia), elas nos devolverão isso mais e mais, gerando um círculo vicioso que nos leva lenta, mas consistentemente, ao fundo do poço moral.
Se pararmos para analisar tal círculo vicioso de nossas vidas virtuais, é inevitável especular que a lógica do algoritmo cibernético não tem nada de original. Ela simplesmente replica o que ocorre em nossas vidas reais. Nossas vibrações atraem nossas “tribos”. Como diz a celebre frase, somos herdeiros de nós mesmos, seja na vida virtual ou na vida real.
Como então reverter isso? Impossível iniciar esta reversão sem um mínimo de autoconsciência e intencionalidade. Entre os dois lobos que habitam em nós, o bom e o mau, temos que fazer uma escolha consciente de alimentar o bom, para que ele possa vencer esta luta. Daí o poder de nosso dedo indicador, comumente aquele que usamos para apontar o que queremos ver mais de perto, tanto nas mídias sociais como na vida.
Sejamos mais responsáveis para onde direcionamos nossos indicadores, com intencionalidade naquilo que tocamos. As coisas não são boas ou más. Bom ou mau será o uso que fizermos delas. Utilizemos nosso direcionamento intencional para tocar naquilo que promove a paz, a elevação moral, a ética, o amor ao próximo e permita que os algoritmos (virtuais e da vida) nos tragam tudo isso de volta.
Ao final o que importa é a diferença que queremos fazer no mundo, seja no mundo físico ou virtual. Somos o resultado de nossas escolhas.